quinta-feira, 7 de julho de 2016

Nem sempre nós ficamos com os amores das nossas vidas

Eu acredito em grandes amores.
Mas falo e namoro como se não acreditasse.
Eu não tenho expectativas fúteis para o romance. Eu não estou à espera de sentir aquela sensação estranha de estar a flutuar. Eu sou um daqueles indivíduos raros, talvez um pouco cansado, que realmente gosta deste ambiente atual de conexão entre as pessoas e é feliz por viver numa época em que a monogamia não é necessariamente a norma.
Mas eu acredito em grandes amores, porque já tive um.
Eu tive esse amor que tudo consome. O amor do tipo “eu não posso acreditar que isto existe no mundo físico.”
O tipo de amor que irrompe como um incêndio incontrolável e então se torna brasa que queima em silêncio, confortavelmente, durante anos. O tipo de amor que escreve romances e sinfonias. O tipo de amor que ensina mais do que tu pensaste que poderias aprender, e dá de volta infinitamente mais do que recebe.
É amor do tipo “amor da tua vida”.
E eu acredito que funciona assim:
Se tu tiveres sorte, conhecerás o amor da tua vida. Tu estarás com ele, aprenderás com ele, darás tudo de ti a ele e permitirás que a sua influência te mude em medidas insondáveis. É uma experiência como nenhuma outra.
Mas aqui está o que os contos de fadas não te vão dizer – às vezes encontramos os amores das nossas vidas, mas não conseguimos mantê-los.
Nós não chegamos a casar-nos com eles, nem passamos anos ao lado deles, nem seguraremos as suas mãos nos seus leitos de morte depois de uma vida bem vivida juntos.
Nós nem sempre conseguimos ficar com os amores da nossa vida, porque no mundo real, o amor não conquista tudo. Ele não resolve as diferenças irreparáveis, não triunfa sobre a doença, ele não preenche fendas religiosas e nem nos salva de nós mesmos quando estamos perdidos.
Nós nem sempre chegamos a ficar com os amores das nossas vidas, porque às vezes o amor não é tudo o que existe. Às vezes tu queres uma casa num pequeno país com três filhos e seu amor quer uma carreira movimentada na cidade. Às vezes tu tens um mundo inteiro para explorar e seu amor tem medo de se aventurar fora do seu quintal. Às vezes tu tens sonhos maiores do que os do outro.
Às vezes, a maior atitude de amor que tu podes ter é simplesmente deixar o outro ir.
Outras vezes, tu não tens escolha.
Mas aqui está outra coisa que não vão te contar sobre encontrar o amor da tua vida: não viveres toda a tua vida ao lado dele não desqualifica o seu significado.
Algumas pessoas podem amar-te mais em um ano do que outras poderiam te amar em cinquenta anos. Algumas pessoas podem ensinar-te mais em um único dia do que outras durante toda a sua vida.
Algumas pessoas entram nas nossas vidas apenas por um determinado período de tempo, mas causam um impacto que mais ninguém pode igualar ou substituir.
E quem somos nós para chamar essas pessoas de algo que não seja “amores das nossas vidas”?
Quem somos nós para minimizar a sua importância, para reescrever as suas memórias, para alterar as formas em que nos mudaram para melhor, simplesmente porque os nossos caminhos divergiram? Quem somos nós para decidir que precisamos desesperadamente substituí-los – encontrar um amor maior, melhor, mais forte, mais apaixonado que pode durar por toda a vida?
Talvez nós devêssemos simplesmente ser gratos por termos encontrado essas pessoas.
Por termos chegado a amá-las. Por termos aprendido com elas. Pelas nossas vidas se terem expandido e florescido como resultado de tê-las conhecido.
Encontrar e deixar o amor da tua vida não tem que ser a tragédia da tua vida.
Deixá-lo pode ser a tua maior bênção.
Afinal, algumas pessoas nunca chegam sequer a encontrá-lo.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

"Se você estiver lendo isso, você sobreviveu sua vida toda até este ponto. 
Você sobreviveu aos traumas, às desilusões, 
devastações, às diferentes fases da vida. 
E aí está você. Você é incrível."

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Valorize quem te dá valor

Você já se decepcionou, eu sei. Já está deu murro em ponta de facaremou contra a maré e precisou levantar após várias quedas… com alguns arranhões, teve que se reinventar, seguir em frente. Mas acredite, é a dificuldade que te torna mais forte e mais seletiva. Aos poucos você reconhece o próprio valor e entende que valor não se pede, se tem – e você tem muito!
Não deixe ninguém te fazer duvidar de tudo que você é, nem permita que alguém use as suas fraquezas contra você. Valorize quem se orgulha de estar ao seu lado, quem conhece os seus defeitos, mas não cansa de exaltar as suas qualidades. Valorize quem segura a sua mão ao final de um dia difícil, quem segura a sua bolsa porque quer dividir qualquer peso com você e ainda segura o seu coração para que ele não se parta novamente. Valorize quem escuta os seus problemas e te conforta mesmo sem dizer uma palavra, quando te olha dentro dos olhos e te faz ter a certeza de que você não está sozinha. Valorize quem te diz: “pode contar comigo”, porque hoje em dia isso é muito raro.
Valorize quem não desiste de você, quem repara nos seus detalhes e interpreta o tom da sua voz. Valorize quem faz uma piada boba só para te fazer sorrir, valorize quem quer fazer dar certo. É difícil valorizar, se decepcionar e depois ter que superar. Dói, e como! Mas você não precisa deixar de acreditar no amor, apenas valorizar quem também te dá valor.
Milene da Mata

Bom dia! Tudo bem com você? 

Sei que tá difícil levantar da cama. Pra mim, está.
Às vezes tenho vontade de ficar deitada. Encolhida. O tempo inteiro...
Mas tenho tantas coisas pra fazer. 
Então vou tentar pensar que hoje será um ótimo dia. 
Tanto pra mim, quanto pra você, que tá lendo. 
Que seja recheado de amor! 
Qualquer coisa, a gente para, se acalma, respira...
E tudo vai ficar bem.
Sempre fica.

Via: Diário de uma ansiosa

sexta-feira, 3 de junho de 2016

As Coisas Também Passam Por Nós

Pensar que eu estava sendo engolida pelas sensações ruins foi um dos meus maiores pesadelos por mais de dois anos. Quando eu chorava no banho sem conseguir me mexer, quando eu tomava descontroladamente remédios para dormir, quando o pensamento mais recorrente à minha cabeça era a respeito da morte, quando me falaram que era culpa de um surto psicótico o fato de eu não lembrar de alguns dias. Pareceu, tantas vezes, que as coisas estavam me comendo, me mastigando, me rasgando.
Mas eu é que as rasgava. Sem perceber, sem entender. Como um fio de luz que, naturalmente e perdido na escuridão, atravessa o tempo todo a mesma escuridão na qual está imerso. Eu só me via precisando passar pela dor, mas a dor também estava de passagem por mim. Como cada dia, cada banho, cada momento medicada. Eu me mantinha forte aqui, para abrir os olhos, e o sofrimento naturalmente se mantinha forte ali, fazendo seu papel. Ambos traçando seu caminho, um passando pelo outro, deixando no chão pétalas do que nos constitui: eu deixando a minha continuidade, o meu respirar ansioso pelo fim daquela dor, a minha força, ainda que machucada.
A dor passa por nós doendo, porque é dor. Nós passamos pelas coisas, mas as coisas também passam por nós.
Denise Dantas